22 Jan 2026

Apostem nas Apostas

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nas Apostas

Quem vai ganhar o Óscar de Melhor Filme este ano? Quem será o próximo presidente dos Estados Unidos? Quantos tweets é que o Elon Musk vai publicar em 2026?

Quem vai ganhar
o Óscar de Melhor Filme este ano? Quem será o próximo presidente dos Estados Unidos? Quantos tweets é que o Elon Musk vai publicar em 2026?

Quem vai ganhar o Óscar de Melhor Filme este ano? Quem será o próximo presidente dos Estados Unidos? Quantos tweets é que o Elon Musk vai publicar em 2026?

Agora, podes potencialmente ganhar dinheiro ao adivinhar as respostas a todas estas perguntas.

“Um mercado de previsões é como a bolsa de valores, mas em vez de comprar
e vender empresas, compras ‘sim’ e ‘não’ sobre se algo vai acontecer ou não.”
É assim que Tarek Mansour e Luana Lopes Lara, os fundadores da Kalshi (um dos dois grandes players deste setor, juntamente com a Polymarket), o descrevem.

Os mercados de previsões não são uma novidade. Existem desde o final dos anos 80, mas até recentemente a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) só permitia que existissem para fins educativos e de investigação.

Hoje, o CEO da Kalshi diz que “a visão a longo prazo é financiar tudo e criar um ativo transacionável a partir de qualquer diferença de opinião.”

Estas empresas fazem muita publicidade e esforçam-se bastante para se posicionarem como algo diferente do jogo. Argumentam que, no jogo, apostas contra a casa, enquanto num mercado de previsões colocas dinheiro numa opinião, contra as pessoas que fazem a aposta oposta, e a plataforma fica com uma percentagem dos ganhos do vencedor.

Desde o início de 2024, o volume dos mercados de previsões disparou de 100 milhões de dólares para 13 mil milhões de dólares por mês, segundo a Keyrock
e a Dune Analytics, e a Intercontinental Exchange, dona da Bolsa de Nova Iorque, investiu recentemente 2 mil milhões de dólares na Polymarket.

Os defensores destas plataformas chamam-lhes “máquinas da verdade” alimentadas pela “sabedoria das multidões”. O argumento é que os preços são um melhor indicador do que vai acontecer do que sondagens ou outros métodos. (A Polymarket previu o vencedor das últimas eleições presidenciais dos EUA antes da maioria dos meios de comunicação reputados.)

Tal como aconteceu com as criptomoedas, os mercados de previsões apresentam-se como algo disruptivo e empoderador. Há, no entanto, quatro razões pelas quais estão a ser fortemente criticados:

  1. Apostas anti-éticas. Apostas na Polymarket incluem uma sobre se seria declarada uma fome em Gaza e outra sobre quantos hectares de floresta arderiam nos incêndios na Califórnia.

  2. Insider trading. Não parece muito justo que um utilizador tenha ganho 400 mil dólares a apostar na captura de Maduro pouco antes de ela acontecer, ou que um funcionário da Google tenha ganho 1,2 milhões de dólares em 22 apostas relacionadas com a Google com probabilidades muito baixas. Estas plataformas não estão sujeitas ao mesmo nível de escrutínio que a bolsa de valores e tanto
    a Kalshi como a Polymarket vieram defender que o insider trading é, na verdade, benéfico para todos. Tendo em conta que Donald Trump Jr. faz parte dos conselhos consultivos da Polymarket e da Kalshi, e que a Trump Media vai lançar em breve o seu próprio mercado de previsões, não parece que venham a ser reguladas tão cedo.

  3. A “sabedoria” de um grupo muito específico. Um único trader consegue muitas vezes influenciar preços que supostamente refletem a sabedoria coletiva porque os mercados são pouco líquidos. Além disso, é preciso ter em conta que existe um perfil muito específico de pessoas que aposta nestas apps, que Max Read, numa conversa com o Galaxy Brain, caracterizou como “jovens”, “homens” e “estúpidos”.


  4. Profecias autorrealizáveis (e manipuláveis). A Dow Jones (dona do Wall Street Journal) fez um acordo com a Polymarket e a Kalshi fez acordos com a CNN
    e a CNBC. O CEO da Robinhood (que também lançou uma funcionalidade
    de mercados de previsões) disse: “Gosto de pensar nos mercados de previsões como a próxima geração das notícias.” Estamos a ver cada vez mais probabilidades destes mercados nas notícias, o que pode criar um ciclo de feedback que influencia comportamentos. Nas palavras de Dustin Gouker para a Event Horizon:

    “As primeiras apostas movem os preços. Os preços sinalizam confiança.
    A confiança atrai atenção. A atenção alimenta a cobertura mediática.
    E a cobertura mediática, por sua vez, reforça a crença.”

Tal como aconteceu com as criptomoedas, os mercados de previsões apresentam-se como algo disruptivo e empoderador. Há, no entanto, quatro razões pelas quais estão a ser fortemente criticados:

  1. Apostas anti-éticas. Apostas na Polymarket incluem uma sobre se seria declarada uma fome em Gaza e outra sobre quantos hectares de floresta arderiam nos incêndios na Califórnia.

  2. Insider trading. Não parece muito justo que um utilizador tenha ganho 400 mil dólares a apostar na captura de Maduro pouco antes de ela acontecer, ou que um funcionário da Google tenha ganho 1,2 milhões de dólares em 22 apostas relacionadas com a Google com probabilidades muito baixas. Estas plataformas não estão sujeitas ao mesmo nível de escrutínio que a bolsa de valores e tanto
    a Kalshi como a Polymarket vieram defender que o insider trading é, na verdade, benéfico para todos. Tendo em conta que Donald Trump Jr. faz parte dos conselhos consultivos da Polymarket e da Kalshi, e que a Trump Media vai lançar em breve o seu próprio mercado de previsões, não parece que venham a ser reguladas tão cedo.

  3. A “sabedoria” de um grupo muito específico. Um único trader consegue muitas vezes influenciar preços que supostamente refletem a sabedoria coletiva porque os mercados são pouco líquidos. Além disso, é preciso ter em conta que existe um perfil muito específico de pessoas que aposta nestas apps, que Max Read, numa conversa com o Galaxy Brain, caracterizou como “jovens”, “homens” e “estúpidos”.


  4. Profecias autorrealizáveis (e manipuláveis). A Dow Jones (dona do Wall Street Journal) fez um acordo com a Polymarket
    e a Kalshi fez acordos com a CNN e a CNBC. O CEO
    da Robinhood (que também lançou uma funcionalidade
    de mercados de previsões) disse: “Gosto de pensar nos mercados de previsões como a próxima geração das notícias.” Estamos a ver cada vez mais probabilidades destes mercados nas notícias, o que pode criar um ciclo de feedback que influencia comportamentos. Nas palavras de Dustin Gouker para a Event Horizon:

    “As primeiras apostas movem os preços. Os preços sinalizam confiança. A confiança atrai atenção. A atenção alimenta
    a cobertura mediática. E a cobertura mediática, por sua vez, reforça a crença.”

Tal como aconteceu com as criptomoedas, os mercados de previsões apresentam-se como algo disruptivo e empoderador. Há, no entanto, quatro razões pelas quais estão a ser fortemente criticados:

  1. Apostas anti-éticas. Apostas na Polymarket incluem uma sobre se seria declarada uma fome em Gaza e outra sobre quantos hectares de floresta arderiam nos incêndios na Califórnia.

  2. Insider trading. Não parece muito justo que um utilizador tenha ganho 400 mil dólares a apostar na captura de Maduro pouco antes
    de ela acontecer, ou que um funcionário da Google tenha ganho 1,2 milhões de dólares em 22 apostas relacionadas com a Google com probabilidades muito baixas. Estas plataformas não estão sujeitas ao mesmo nível de escrutínio que
    a bolsa de valores e tanto
    a Kalshi como a Polymarket vieram defender que o insider trading é,
    na verdade, benéfico para todos. Tendo em conta que Donald Trump Jr. faz parte dos conselhos consultivos da Polymarket e da Kalshi, e que a Trump Media vai lançar em breve o seu próprio mercado de previsões, não parece que venham a ser reguladas tão cedo.

  3. A “sabedoria” de um grupo muito específico. Um único trader consegue muitas vezes influenciar preços que supostamente refletem a sabedoria coletiva porque os mercados são pouco líquidos. Além disso, é preciso ter em conta que existe um perfil muito específico de pessoas que aposta nestas apps, que Max Read, numa conversa com o Galaxy Brain, caracterizou como “jovens”, “homens” e “estúpidos”.


  4. Profecias autorrealizáveis
    (e manipuláveis). A Dow Jones (dona do Wall Street Journal) fez um acordo com a Polymarket
    e a Kalshi fez acordos com a CNN
    e a CNBC. O CEO da Robinhood (que também lançou uma funcionalidade de mercados
    de previsões) disse: “Gosto de pensar nos mercados de previsões como a próxima geração das notícias.” Estamos a ver cada vez mais probabilidades destes mercados nas notícias, o que pode criar um ciclo de feedback que influencia comportamentos.
    Nas palavras de Dustin Gouker para
    a Event Horizon:

    “As primeiras apostas movem
    os preços. Os preços sinalizam confiança. A confiança atrai atenção. A atenção alimenta
    a cobertura mediática. E a cobertura mediática, por sua vez, reforça
    a crença.”

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